A minha filha de 6 anos franziu as sobrancelhas. “Este papel não presta para nada!” disse, amachucando a folha. Estava sentada à mesa a fazer um desenho que não estava a sair como ela queria.

Levantei o olhar. “Hum, não deve ser o papel.” pensei para mim. Parei um pouco antes de falar. “O que eu disser agora e a forma como o vou dizer terão duas consequências: fará com que ela se sinta encorajada, que aumenta a autoestima dela, ou desencorajada, o que lhe vai baixar autoestima. Esta escolha é minha.

Todos os pais querem que os seus filhos cresçam confiantes e capazes. No entanto, sem se aperceberem, provocam efeitos precisamente contrários quando comunicam com eles no dia-a-dia.

Eis três reações comuns que diminuem a autoestima dos filhos. 

Dizer “É simples”

Quando o teu filho não consegue realizar uma tarefa, para ti pode parecer que é algo fácil de fazer. No entanto, pode não ser o mesmo para ele. Se lhe disseres “É fácil. Tu consegues fazer.” pensando que o “motivas” e “encorajas”, isto vai leva-lo a pensar: “Isto não é fácil para mim. Deve estar algo mal comigo. Não sou capaz. Devo ser mesmo estúpido.” E este pensamento fará com que ele se sinta desencorajado e queira desistir. Um pensamento destrutivo, que fará baixar a sua autoestima.

Troca por: Isto pode ser difícil. Reconhece simplesmente que é algo que pode ser difícil. Se o teu filho termina a tarefa, poderá dizer a ele próprio: “Fixe. Fiz uma coisa difícil e consegui.” Se não conseguir terminar, pelo menos saberá que tentou resolver algo que era difícil à partida. Esta abordagem ajuda-o a continuar a sentir-se encorajado e aumenta o seu sentimento de valor próprio (“Sou bom, mas ainda tenho que me tornar melhor para conseguir. Eu sou capaz.”).

Ajuda-lo em demasia ou fazer por ele

Ter autonomia é importante e o teu filho quer realizar certas tarefas sozinho. Dá-lhe um sentimento de realização e ajuda-o a se sentir bem com ele próprio. Podes achar que uma das formas de demonstrares o teu amor pelo teu filho é fazendo as coisas por ele (buscar algo, resolver uma situação, indicar a resposta certa, etc.). Para além de o roubar da oportunidade de aprender competências importantes e da satisfação de se sentir independente, tem um outro efeito negativo. Cria um sentimento de: “Não sou capaz.” ou mesmo “Não consigo fazer nada. Sou inútil.”.

Em vez de resolveres as coisas pelo teu filho, experimenta dividir as tarefas mais complexas em partes mais pequenas que ele possa fazer. Assim, dás-lhe a oportunidade de sentir a satisfação pessoal de conseguir completar tarefas sozinho, de se sentir capaz e útil. E quererá fazer mais.

Reagir exageradamente quando faz um erro

Os erros fazem parte da vida – todos erramos! Talvez sentes que é o teu dever de garantir que o teu filho não cometa erros ou de o ajudar a evita-los. Isto não o ajuda, antes pelo contrário – o “aleija” para toda a vida.

O teu filho vai errar e a forma como respondes a estes erros pode ajuda-lo a aprender e crescer com o erro ou pode ensina-lo que os erros são maus. Os erros custam e são desagradáveis, mas são aprendizagens valiosas se lidar-mos com eles de maneira saudável.

Diz-se que o Thomas Edison fez muitas tentativas até inventar a lâmpada. Quando foi perguntado como se sentiu ao falhar tantas vezes, ele respondeu: “Não falhei 700 vezes. Não falhei uma única vez. Consegui comprovar que aquelas 700 formas não funcionam.”

Dá a oportunidade ao teu filho de errar, resolver ou emendar o erro e sentir-se satisfeito por o ter feito. Em vez de reagir mal quando ele comete um erro, ensina-o como pode emenda-lo e responsabilizar-se pelas suas ações. Isto promove uma forma saudável de lidar com os erros e permite à criança sentir-se bem com ela própria.

 

A autoestima é o nosso sistema imunitário emocional. É uma necessidade do bem-estar do ser humano. Tem a ver com o que penso internamente sobre mim e não com o que os outros pensam sobre mim.

Rebaixar a autoestima dos nosso filhos de forma regular, cria sentimentos de frustração, desinteresse ou revolta a longo prazo.

Fazendo hoje pequenas alterações na nossa forma de interagir com eles, podemos ajuda-los a terem sentimentos positivos acerca deles e a fortalecerem os pensamentos sobre eles mesmos.

Pois, quando temos uma autoestima em alta, somos mais tolerantes, mais calmos, mais responsáveis e felizes.

Quando interages com o teu filho – tens uma escolha. O que escolhas?

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Foto: (c) Can Stock Photo

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