“Uma criança cujo comportamento te faz afastar é uma criança que precisa de conexão antes de tudo.” Kelly Bartlett, Encouraging Words for Kids 

Mother and DaughterUma criança que faz uma birra, uma “cena” no supermercado ou desata num pranto ao meio de um jantar na casa dos amigos, é uma criança que precisa de conexão e compreensão. Uma criança que se sente sozinha, desligada da Mãe ou do Pai, avassalada pelos sentimentos ou pensamentos que tem e com os quais ainda não sabe lidar de forma eficaz ou que ainda não sabe expressar-se de outra maneira.

Em vez de reprimires e “castigares” o teu filho por ter um problema ou uma necessidade não satisfeita e por se manifestar de formas menos convencionais para os adultos, experimenta compreenderes, aceitares, mostrares que estás ao seu lado e disponível para ajudar. Castigares ou distanciares-te nestes momentos é precisamente o que o teu filho precisa menos!

O que é Conectar?

“Precisamos de 4 abraços por dia para sobreviver. Precisamos de 8 abraços por dia para nos manter. Precisamos de 12 abraços por dia para crescer.” Virginia Satir

Conectar é (re)estabelecer uma ligação física e emocional com o teu filho. É criar momentos de sintonia, de puro amor incondicional, de aceitação sem julgamentos, de compreensão e partilha. Aqueles momentos que te derretem o coração e te trazem a felicidade de seres Mãe/Pai!

Os pais e os filhos precisam de restabelecer esta ligação entre eles diariamente, para consertar qualquer erosão criada pela separação ou distração da vida normal (escola, trabalho, eventos etc.). Quando os filhos estão separados dos pais, costumam procurar outros guias para se orientarem (amigos, professores, tv, computador etc.), pelo que, quando voltam para junto dos pais, precisam de algum tempo para relembrar as suas bases e reestabelecer o contacto. Com os pais passa-se o mesmo, depois de um longo dia de trabalho – eles também precisam de voltar às bases.

Gordon Neufeld e Gabor Maté, autores do livro Pais ocupados, Filhos Distantes (Hold on to Your Kids), dizem que quando nos reunimos com os nossos filhos, temos que os receber não apenas fisicamente, no nosso espaço, na nossa órbita, mas também emocionalmente, no nosso ser, no nosso coração.

 

5 hábitos diários de conexão com o teu filho

Apenas alguns minutos podem ser suficientes para (re)estabelecer a conexão. Estes momentos são tão necessários para os pais como para os filhos e são uma grande motivação para a cooperação de ambos na construção de um bom ambiente familiar. As crianças que se sentem ligadas aos seus pais e confiam neles, têm maior vontade de cooperar.

Young family together, kissing babyA forma como conectas depende de ti, do teu filho, da vossa personalidade e também pode depender da altura do dia, do meio ambiente, dos eventos que estão a decorrer etc. Podes apenas perguntar sobre como correu o dia, enquanto o abraças longamente ou está ao teu colo, podes olha-lo nos olhos enquanto ouves com atenção algo que te está a dizer ou estás a contar-lhe como foi o teu dia, podes brincar ao lado dele ou fazer-lhe festinhas, podem apenas partilhar uma boa refeição juntos e conversar…

Faz da conexão com o teu filho um hábito diário e verás que a quantidade de birras vai diminuir drasticamente, a tua calma e paciência vão aumentar e a relação que tens com o teu filho vai tornar-se mais forte! Eis algumas ideias…

1. Abraça-o

Podes dar um abraço ao acordar, outro quando se separam, quando se reúnem, ao deitar e muitos outros nos intervalos. Com os mais pequenos, os abraços são mais fáceis pois a conexão com os pais ainda é muito forte. Se tens um pré-adolescente ou um filho mais crescido que recusa os abraços, dá-lhe um pouco de espaço para estabelecer a ligação depois de se verem. Oferece-lhe um copo com água, algo para comer, uma massagem, e mantém a porta da comunicação aberta. Faz disto a tua prioridade e verás a vossa relação florescer.

2.   Observa com atenção e mantém o espírito aberto

Observa quais são os melhores momentos do dia para conectar com o teu filho. Pode ser um olhar, um toque, uma festinha. Quando observas o teu filho e estás disposto a compreende-lo, terás mais facilidade em reparar nos sinais, nos seus desejos e necessidades. Compreenderás mais facilmente quando está prestes a chegar ao seu limite, quando algo não está bem ou quando precisa de apoio.

Por exemplo, se for pequeno e ainda não se conseguir expressar, o teu filho pode chorar, choramingar, queixar, lutar ou bater quando precisa de conexão. Estejas com atenção. Ou se for mais crescido, pode pedir-te para falarem numa altura que te é inconveniente. Se procuras conectar com ele, tens que manter o espírito aberto.

3. Acolha as emoções

As emoções podem ser muitas vezes fortes e inconvenientes. Mas o teu filho precisa de as expressar ou ficará dominado por elas. Aceita as suas crises, sem deixares que a raiva te afete também, e aceita as lágrimas e os medos que se escondem atrás da frustração dele.

Provavelmente és a única pessoa com qual ele se sente à vontade para chorar. Respira fundo e aceita este momento! Ele vai sentir-se compreendido, mais cooperante e mais perto de ti.

Sim, conseguires pôr de lado as tuas emoções e estares disponível para outra pessoa em primeiro lugar é uma das partes mais difíceis da parentalidade. Implica muito autocontrolo, consciência e intenção da tua parte. Ao demonstrares isto ao teu filho, o ensinas da melhor forma como ele deve fazer nos momentos quando as emoções são demasiadas fortes.

4. Desliga os electrónicos

Sim, sim! Desliga tudo e foca-te no teu filho. Tens tão pouco tempo com ele! E ele vai lembrar-se a vida toda que é tão importante para ti, que desligas o telemóvel, a TV ou tiras os phones para o ouvires. Dá-lhe a tua atenção total – os benefícios são incomensuráveis.

5. Cria momentos especiais diariamente

Se tiveres mais que um filho, passa 10-15 minutos por dia com cada, separadamente, se possível. Ouve com atenção, sejas empático, brinca, fala sobre assuntos que lhe interessam, sonhem juntos. Abranda e desfruta o momento! Aconcheguem-se no sofa ou na cama a contarem histórias, piadas, fantasias, sonhos. Não precisam de uma agenda para cumprir. Deixem-se ir pelos caminhos da imaginação.

O teu filho não precisa de um Super-Heroi ou uma Super-Mãe. Precisa de ti, assim como és. Precisa de te conhecer, entender e de estar contigo. E precisa de saber que o amas e que o aceitas como ele é!

Aqui e agora!


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