Como pais, lidamos com MUITAS emoções diariamente. As nossas próprias e ainda as dos nossos filhos, de cada um deles, e que, dependendo da idade, podem ser bastante intensas e absorventes.

O chorar é provavelmente uma das mais fortes e complexas reações dos nossos filhos e que ressoa mais fortemente dentro de nós, pais, lançando-nos numa montanha russa de emoções, o que o torna muitas vezes um “bicho de sete cabeças“.

No entanto, o choro é um “bicho bom” pois é uma resposta física natural do nosso sistema de proteção ao sobrecarregamento com emoções fortes e intensas. Quando choramos, estamos a fazer algo útil para nós mesmos – estamos a descarregar a tensão negativa do corpo. 

Quando nos magoamos, físico ou emocionalmente ou não estamos a conseguir algo, por exemplo, podemos sentir uma avalanche de sentimentos. Estes sentimentos geram energia negativa, criando tensão interior. Quando esta tensão se acumula em demasia, há uma sobrecarga energética e o nosso sistema de segurança interna tem de intervir para reestabelecer a normalidade, se nós não o fazemos de forma consciente. E, para libertar esta energia, usa reações físicas como o choro, o riso, o tremer.

Este acumular de tensão é a maior parte das vezes gradual, acontece aos poucos e podemos não nos apercebermos. A maior parte do comportamento que, nos, pais, designamos como “mau” ou “difícil” nos nossos filhos é gerado muitas vezes pelas emoções que eles sentem e que, provavelmente, estão a acumular-se a algum tempo e não encontram uma outra saída ou uma forma de dissipação. Quando conseguem libertar esta energia, voltam ao seu normal.

“Uma lágrima é feita de 1% água e 99% sentimentos.”

Aceitando e respeitando as emoções dos nossos filhos e criando abertura para eles poderem chorar quando precisam, além de os ajudar a relaxar, fortalece também a conexão connosco. A forma como os ouvimos e respondemos nesses momentos, faz toda a diferença para os nossos filhos se fecharem ou se abrirem connosco e para que eles mesmos encontrem as forças para ultrapassar o momento.

Rejeitar ou ignorar as emoções dos nossos filhos, sejam elas mais ou menos intensas, dificulta e prolonga o processo de resolução.

Ao ouvirmos o nosso filho a chorar estamos tentados dizer “Para de chorar! Já chega!“. Ao dizermos isso estamos a distanciar-nos e desconectar-nos do nosso filho, negando ou ignorando o que sente. Estamos a abandona-lo num carrinho em andamento no topo de uma assustadora montanha russa. Sem ter o espaço, a empatia, o amparar necessário para libertar a energia acumulada, haverá um “descarrilamento” inevitável – o próprio corpo vai encarregar-se de realizar essa descarga emocional – através de gritos, espernear, chorar, bater… recursos que tem disponíveis, inatos ou aprendidos, eficazes ou ineficazes.

Se ignoramos, minimizamos ou, pior, ridicularizamos, as emoções dos nossos filhos, eles entrarão em sobrecarga, sem saberem bem como fazer parar o carrinho. Eles procuram empatia, conexão e compreensão para aprenderem a autoregular as suas próprias emoções. Se não encontram este apoio, vão continuar a tentar o mesmo que sabem ou que vêm os outros fazerem, mesmo que ineficaz. Assim, podem aumentar a intensidade (chorando ainda mais alto) até obterem a nossa atenção, seja ela positiva ou negativa.

A AUTOREGULAÇÃO EMOCIONAL APRENDE-SE E TREINA-SE DESDE CEDO

Chorar é bom! É saudável e, por vezes, necessário, tanto para as crianças, como para os adultos. Chorar limpa a alma, refresca as energias, elimina as toxinas libertadas pelo corpo e devolve a nossa calma.

Ao dizermos “Para de chorar!” ou outras frases semelhantes, enviamos a mensagem que as emoções que os nossos filhos sentem não são importantes, não são válidas, são triviais ou irritantes. Isso faz com que eles irrompem num pranto ou num acesso de raiva, descarregando a sobrecarga ou se fechem, inibindo o que sentem e armazenando essa energia negativa dentro deles, que mais tarde vai irromper por algum lado, quando menos esperamos.

Se queremos que os nossos filhos aprendam a autoregularem as suas emoções, a confiarem neles mesmos e a conseguirem falar sobre os seus problemas e sentimentos, então não podemos afastá-los mesmo quando estão a precisar de nós.

Seja o que for que o teu filho sente, é algo válido! Assim como os teus próprios sentimentos o são! Estando de fora, pode parecer-te pouco importante, mas lembra-te que a criança não tem ainda a experiência ou o conhecimento de um adulto e para ela TUDO é “muito importante” AGORA.

Por vezes, os pais incomodam-se quando as crianças choram em público, por exemplo, e, perante as próprias experiências, encaram como algo “inadequado” e preocupam-se demais, não com o choro da criança, mas com as reações e os julgamentos dos outros adultos em redor.

RELAXEM. RESPIREM.

Sentir é sentir! Interpretar e agir com base no que sentimos é algo que se aprende e pode demorar tempo! Até para nós, adultos!

Vamos ensinar aos nossos filhos que não devem ter vergonha dos seus sentimentos e mascara-los por causa de outras pessoas. E vamos também ensinar aos adultos que o sistema emocional das crianças está ainda em desenvolvimento e elas precisam do nosso apoio! Aprender a lidar com as nossas emoções é importante e aprende-se da melhor forma com compreensão e aceitação! E nós podemos ajudar!

Quando crescerem logo irão compreender melhor aquelas convenções sociais “não escritas” e quando saberão como lidar melhor com os seus sentimentos, será mais fácil expressa-los de forma socialmente “apropriada”, se eles assim escolherem faze-lo.

Até lá, vamos ensina-los que a melhor forma de apoiar o desenvolvimento da sua própria regulação emocional é através de empatia e compreensão, não de abafar e esconder. Vamos ensina-los a estarem disponíveis para ouvir e ajudar o próximo sempre que é preciso, serem generosos e humanos.

“Ouve com seriedade qualquer coisa que o teu filho quer dizer-te, independentemente do que for. Se não ouves com atenção as coisas pequenas quando eles são pequenos, não te vão dizer as coisas grandes quando crescerem, porque, para eles, foram sempre coisas grandes.” Catherine M. Wallace

 

O QUE É MELHOR DIZER OU FAZER?

Se na tua infância tiveste que abafar os teus sentimentos muitas vezes, estas situações tornam-se hoje incrivelmente difíceis e desconfortáveis par ti. Se cresceste a ignorar as tuas emoções, ter um filho que expressa os seus sentimentos de forma livre e intensa pode desencadear reações negativas em ti, levando-te à ignorares ou rejeitares os seus sentimentos. Essa rejeição é uma forma de te protegeres a ti mesmo e é importante procurares conscientemente os motivos que te levam a reagir assim.

A boa notícia é que ao procurares estas respostas dentro de ti e ao apoiares o teu filho nos momentos difíceis, assim como terias gostado que alguém te tivesse apoiado quando eras criança, tem um alto poder curativo para ti e ajuda-te a lidares com as tuas próprias emoções.

OK. Se não é bom dizer “Para de chorar!”, então o que vou dizer? Aqui vão algumas sugestões:

  • Está a ser difícil para ti.
  • Estou aqui contigo, ao teu lado.
  • Compreendo. Queres um abraço?
  • Fala-me mais sobre o que se passa.
  • O que sentes é importante.
  • Estou a ouvir com atenção.
  • Tens o meu apoio.
  • Fico aqui durante o tempo que precisares.

Podes também estar apenas presente, de forma consciente, empática e disponível. Por vezes não são necessárias palavras, a tua presença ou o conforto físico são suficientes.

Para mais ideias, consulta e imprima estas 12 frases empáticas, respeitadoras e encorajadoras que podes dizer em vez de “Para de chorar” que compilei para tiAssim poderás te-las sempre perto quando precisas.

Se queres saber mais sobre as necessidades e o bem-estar dos teus filhos, clica aqui.

O PODER EMOCIONAL é um dos cinco poderes da nossa Harmonia. E é algo que, mesmo nós, adultos, estamos ainda a descobrir, a conhecer e a aprender a trabalhar e lidar melhor com ele. Para aprenderes mais sobre a parentalidade com equilíbrio e harmonia clica aqui ou inscreve-te no desafio online “Do Caos à Harmonia” (gratuitamente, próxima edição Abril 2018).


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