O Pedro de 4 anos, estava a brincar com os comboios no chão da sala. Passados uns 10 minutos, levantou-se, foi buscar três carrinhos e começou a brincar noutro canto a fazer corridas. Passados mais 5 minutos, abandonou os carrinhos e foi buscar as canetas para fazer um desenho numa folha.

O pai, ao ver a “confusão”, ficou irritado e disse: “Pedro, vai imediatamente arrumar os outros brinquedos. Não podes começar a desenhar antes de pôr tudo o resto no sítio. Brincas com uma coisa de cada vez.”

A mãe, que estava a ver a mesma “confusão”, interpretou-a de forma diferente e disse: “Não faz mal. Ele está a brincar. Pode arrumar no fim.”

Já te aconteceu teres este tipo de discordâncias com o teu parceiro ou outro adulto? Porquê achas que elas acontecem? Porquê é que alguns adultos olham para um chão cheio de brinquedos e pensam “Que confusão. Quero ordem nisto tudo.” enquanto outros pensam “Que confusão. Alguém está a ser feliz a brincar aqui.“?

À primeira vista e com as informações disponíveis nesta história, poderíamos concluir que o pai valoriza mais a ordem e a mãe valoriza mais a criatividade e a brincadeira livre, embora provavelmente ambos querem o melhor para o seu filho. Se olharmos bem, com respeito e vontade de compreender, encontramos valor em ambas as perspetivas. Nestas situações não se trata de quem tem ou não tem razão. Trata-se sim de perspetivas diferentes daquele momento, que despertaram neles reações distintas.

Como irias lidar com isso se fosses o Pai? Como irias lidar com isso se fosses a Mãe? O que iria motivar a tua ação?

O que pensamos e o que fazemos, advém de motivações enraizadas no nosso SER, de forma consciente ou inconsciente. Motivações que remetem para o que cada um de nós acredita e valoriza – ou seja, as nossas crenças e os nossos valores – algo que adquirimos e formamos desde a nascença.

E são estas crenças e valores da Mãe e do Pai que precisam de ser harmonizadas, alinhadas, para o equilíbrio e bem-estar de todos.

Existirem pontos de vista diferentes, discordâncias, é natural e saudável até certo ponto, pois se pensássemos todos de forma igual em todos os momentos, a vida seria muito monótona e provavelmente a nossa evolução como seres humanos seria afetada.

Contudo, discordâncias frequentes que causam muitas fricções e brigas entre os membros de uma família, contribuem para o desequilíbrio e falta de harmonia de todos.

É necessário por um lado, conhecermos bem os nossos próprios valores e conhecer os do nosso parceiro, assim como aprender a lidar com isso de forma positiva e harmonizadora, através de compreensão e diálogo aberto sobre os nossos valores e crenças individuais, como Mãe e Pai (e também com os nossos filhos) e quais devem ser aqueles que queremos transmitir e seguir na nossa família.

Um trabalho essencial de alinhamento e definição de valores próprios deve ser parte da fundação de cada família. Ao ser feito, irá prevenir a maior parte deste tipo de discordâncias e faltas de harmonia futuras entre todos.

 

 

 

 


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