5 estratégias para encontrarem um caminho comum

Há uns anos atrás, a Ana e o Miguel casaram-se e passado pouco tempo decidiram ter o primeiro filho. Como a maioria dos pais, nunca falaram sobre como gostariam de educar os seus filhos, partindo do pressuposto que eles também foram educados pelos próprios pais e correu tudo bem. “Os meus pais educaram-me assim e resultou comigo. Vou fazer igual com os meus filhos.” dizia o Miguel, por um lado, e a Ana pelo outro.

Quando o filho tinha cerca de dois anos, os problemas começaram a aparecer, quando as diferenças entre os dois tornaram-se evidentes – a Ana tinha sido educada num meio mais autoritário, o Miguel num meio mais permissivo. A Ana tentava ser rigorosa, enquanto o Miguel tentava ser indulgente, à semelhança dos seus pais. E cada vez que o Miguel era mais indulgente, a Ana tornava-se ainda mais estrita. Ela chateava-se que o Miguel era brando demais e o Miguel chateava-se que a Ana era demasiado severa. Com o tempo, à medida que o filho crescia, cada um tornou-se mais agarrado ao seu estilo até que desenvolveram um conflito constante sobre a educação, sobre a parentalidade, que afetou a relação deles e o crescimento do filho, preso no meio deste campo de batalha.

O que pode ser feito quando a Mãe e o Pai discordam sobre a forma de educar os filhos? Como se alinham pensamentos, comportamentos e ações neste sentido?

(c) Can Stock Photo

A parentalidade já é desafiante por si mesma, e quando a Mãe e o Pai se encontram divididos acerca dela, acabam todos por perder a curto e longo prazo.

Felizmente, existem algumas estratégias que podem ser aplicadas para juntar os esforços de ambos em promover uma educação equilibrada e consciente para o bem-estar de todos os membros da família:

  1. Identificar o propósito parental e os pontos que tem em comum – comecem por definir as vossas intenções parentais, o vosso propósito e identificar os aspetos comuns em que ambos concordam. Terão muito mais hipóteses de sucesso se construírem sobre uma base comum, em que cada um pode contribuir, do que desperdiçarem tempo e energia focando-se no que não querem ou no que discordam.
  2. Identificar e procurar compreender as crenças que motivam as diferenças – as diferenças existem e esta é uma realidade. Aceitar a realidade e procurar compreende-la é fulcral – quais são estas crenças, de onde vêm, como é que elas afetam o vosso comportamento do dia-a-dia e os resultados que obtém. Não com o intuito de comparar ou decidir sobre qual a melhor, mas com o intuito de compreende-las e os seus efeitos.
    Frequentemente as diferenças estão relacionadas com a forma como os pais foram educados ou com medos pessoais, conscientes ou inconscientes. Compreender PORQUE estão a defender certas ideias ou formas de agir e porque estão a discordar de outras é um primeiro passo na elaboração de uma solução mais eficaz e respeitadora para ambos os pais e para os filhos.
  3. Começar com passos pequenos – comecem por estabelecer as regras ou os limites que estarão à base da família – aqueles que não serão tão flexíveis ou negociáveis (relacionados com segurança ou saúde, por exemplo ou com os valores familiares como respeito, liberdade, educação etc.). Procurem chegar a acordo sobre os limites e as expectativas neste aspeto e assegurem-se que estes são conhecidos e aceites por todos os membros da família, respeitados e praticados em primeiro lugar pelos pais. Dando um passo de cada vez, começa-se a construir uma base sólida.
  4. Educar é sobre os filhos, não sobre os pais – “O que é que o nosso filho precisa para se tornar um adulto equilibrado, consciente e feliz? O que é que precisa de nós? O que é melhor para ele?” são algumas das perguntas que devem ser feitas diariamente nos momentos mais desafiantes. A resposta ajuda-vos a focar no vosso propósito, na vossa intenção parental e no que é mais importante para a criança. Não se trata de ganhar ou de obrigar. Não se trata de quem é melhor ou que estilo parental é melhor. Trata-se de assegurar que ensinam ao vosso filho como pode pensar por ele mesmo para tomar as suas decisões e fazer as escolhas acertadas de acordo com a sua própria intenção.
  5. Conectar e promover o bem-estar – um do outro e juntos, como família. Apoiem-se um a outro na satisfação das próprias necessidades, apoiem os vossos filhos na satisfação das necessidades deles. Nenhuma solução irá funcionar se as necessidades emocionais e psicológicas básicas não forem preenchidas e atendidas. Sem conexão, aceitação, generosidade, amor incondicional, competência, autonomia e encorajamento saudável, nada irá resultar a longo prazo. Não se pode exigir cooperação, nem respeito, tanto das crianças como dos adultos. Estas alcançam-se, oferecendo-as.

O alinhamento entre os pais é fundamental para o desenvolvimento equilibrado dos filhos, futuros adultos. Não há nada mais importante que a vossa família – procurem o melhor apoio com qual se sintam confortáveis.

Gabriela Paleta


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