“Não mexas nisso.

Já te disse para não mexeres…

Para!!!! ….

Paraaaaaaaaaaaaa!!!”

Oiço gritos altos, bem altos, vindo do quarto delas. Alguém está a rebentar o topo da escala de irritação. Até dois minutos atrás, estavam a brincar contentes e alegres. Do quarto ao lado, ouvi-as a debaterem sobre algo insignificante e já mudaram de registo.

Sinto o impulso de ir lá e dizer-lhes para pararem… pararem de gritar, de se chatear, de se enervar. Pararem já! Sinto a reação irritada no meu próprio corpo. O sangue a subir à alta velocidade, o coração a acelerar, os músculos a ficarem tensos.

Mas paro. Respiro fundo um instante. Respiro outro.

Relaxo os meus músculos. Deixo o sangue fluir.

Se for lá aos gritos acabo por dar o mesmo exemplo, usando as mesmas palavras. E, provavelmente, pior ainda, vou gritar mais alto e não lhes vou dar a oportunidade de expressarem o que sentem, de serem ouvidas, compreendidas, de descobrirem que há outras formas de pedir, de falar, de resolver um conflito.

Espero uns segundos. Silêncio. Respiro novamente. Fundo.

De onde vem esta minha irritação? O que é que me incomoda? Que elas estão irritadas? Que gritam? Que isso me irrita a mim?

De facto, não são os sentimentos delas que me incomodam, embora adoravam que nunca os sentissem. É a forma como lidam com estes sentimentos. Os gritos alto, as palavras, o tom de voz… não é assim que se resolvem as coisas. Não é o melhor caminho. Talvez precisam de aprender formas mais saudáveis e menos destrutivas de lidarem com as emoções que sentem. Hum…

Oiço conversa. “Não precisas de gritar. Já ouvi.”

Respiro.

Relaxo.

E decido.

Decido aceitar que os meus filhos tem sentimentos e tem liberdade para sentir.

Decido deixar ir a minha própria irritação que surge de ter de lidar com comportamentos ou emoções difíceis dos outros.

Decido que não me vou deixar levada pelos sentimentos dos outros e reagir de formas ineficazes, contra os meus valores e contra o que quero.

Decido separar as emoções do comportamento. Não somos as nossas emoções, nem o nosso comportamento. Nenhum desses nos define como pessoas. Qualquer um pode ser trabalhado e melhorado.

Decido que vou falar com elas sobre o que aconteceu e procurarmos juntas soluções alternativas, mais saudáveis, para lidar com estes sentimentos. Não neste momento. Um pouco mais tarde. Brincando ao teatro ou conversando.

Decido trabalhar nestas coisas comigo também.

E continuar a respirar e relaxar, refletir e decidir antes de agir.

É esse o meu caminho.

 

 

PS. Como lidam com as grandes emoções lá em casa?

 


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